| |||||||
|
CONHECIMENTO CIENTÍFICO E FORMAÇÃO ÉTICA NA MEDICINA DISCIPLINA : EDUCAÇÃO ESCOLAR : A CONSTRUÇÃO
DOS SABERES E DAS PRÁTICAS E SEUS FUNDAMENTOS 1 Introdução Apagar as diferenças, especialmente aquelas que
questionam o modelo de sociedade vigente, gera a luta e a violência: o processo
de homogeneização da ideologia arma uma série de procedimentos de exclusão
ao hierarquizar os universos culturais. É baseado nesta idéia que passo a discutir o
papel das escolas, e especialmente a médica como mecanismo para reprodução da
divisão do trabalho nas sociedades atuais e propor um novo modelo de currículo
introduzindo a disciplina de bioética na área da saúde. Abordarei aqui também o sentido de cultura como
aspecto de diferenciação na sociedade, e que gera a discriminação dos
considerados incultos para os padrões sociais ou seja o contingente de
desajustados que ajudam a manter uma ideologia que move as engrenagens de um
sistema produtivo que chamamos de capitalismo especialmente aplicado no ensino médico. A escola médica ,hoje é mais uma forma de
exclusão social , embora ela aparentemente trabalhe com o conhecimento científico
como finalidade; esse conhecimento necessita ser diferentemente ensinado dentro
de uma perspectiva humanística do ser humano. É preciso mostrar indignação contra o ensino
no modelo atual que mostra um baixo comprometimento social e não discute até
onde o aparelho formador dos médicos tem capacidade para gerar, reproduzir ou
inculcar valores. Não se discute quais os aspéctos éticos e
humanos necessários para a formação futura do médicc. O estudante já no início do curso percebe que só
terá sucesso econômico se escolher especialidades que são baseadas em
aparelhos ou laboratórios. 2 Conhecimento Técnico, Desajustamento e
Estado: A Mercantilização da Cultura no Curso de Medicina. "Num pequeno volume de histórias para
crianças recém alfabetizadas, uma delas conta mais ou menos o seguinte.
Leonardo, o Urso e Ricardo, o Alce, encontram-se na floresta. Leonardo,
obviamente o mais esperto dos dois, e alguém que sabe das coisas, pergunta o
seu amigo se ele gosta de charadas. Ricardo fica ali parado, refletindo sobre a
pergunta. De repente, num lampejo de inteligência, responde algo como o
seguinte: "Bem, não sei. Qual é o gosto delas? " Leonardo,
exasperado, com um olhar de desprezo, grita para seu amigo: "Escuta, uma
charada não é algo que se coma! " Ricardo agora compreende, naturalmente.
E diz: "É claro. Já sei. É uma coisa para beber" 1 Um grande número de Leonardos insiste em ensinar
a única forma de interpretar um fenômeno, embora neste caso seja a escola a não
uma charada. Muitos reformadores de currículos e pesquisadores educacionais, me
dizem que as escolas são os veículos de uma democracia baseada no mérito. Uma
pequena parte interpreta as escolas de forma mais estrutural, escolas são
simplesmente mecanismos para a reprodução da divisão do trabalho. Pode-se discutir e concluir de forma mais pragmática
sobre as escolas , uma teoria que seja um pouco mais complexa que aquela contida
na teoria unidimensional da recriação de uma força de trabalho hierárquica e
que ainda assim nos ajude a explicar tanto algumas das características internas
que nós sabemos que as escolas têm quanto as conexões entre essas características
e uma economia inócua? Verificar de que maneira os professores e alunos
"negociam" suas realidades respectivas na sala de aula, o acordo tácito
de submissão à globalização, que tão somente ampliou as diferenças entre
pobres e ricos. Descrever um fenômeno qualquer não é
necessariamente o mesmo que explicar por que ele veio a existir. Podemos explicar, portanto, a estrutura, que
buscará revelar as conexões entre a criação e a atribuição de coisas tais
como condições culturais e econômicas que podem oferecer uma série de razões
para a existência dessas condições. Sobretudo a hegemonia é construída pelas nossas
próprias práticas cotidianas e a realidade na prática médica. É constituída
pelo conjunto de ações e significados de senso comum que constituem o mundo
social tal qual a conhecemos e que nem sempre estamos preparados e em condições
de mudar. 3 O que as escolas médicas fazem e o que elas
não fazem O desajustamento dos indivíduos na escola, e
fora delas tende a fazer pensar que existem pessoas que são diferentes e
inferiores, ainda mais no curso de medicina onde o aluno ele próprio se
considera um privilegiado e dotado de inteligência superior aos demais .
Pode-se dizer aqui que o desajustamento é "merecido" pelo próprio
desajustado, os próprios colegas de curso são os primeiros a desestimular os
colegas estudantes. Os educadores por sua vez empregam meios para
pensar sobre, planejar e avaliar, à vida escolar, esses meios são
consistentemente destorcidos em favor das regularidades de desigualdade social
existentes, com o objetivo consciente ou não de manter o sistema pois ele lhe dá
privilégios. As escolas médicas não são tão meritocráticas
"esperaríamos que a relação entre as notas nos testes escolares e o êxito
na vida adulta profissional aumentasse com o tempo, e que a relação entre
familiar e o êxito adulto caísse, tem havido pouca diminuição na correlação
entre origem social e êxito escolar. Os filhos de médicos em geral são os melhores
profissionais médicos e os filhos das pessoas mais simples se tornam
profissionais medianos Baseado nesta idéia podemos entender que um dos
papéis sociais latentes da escola é o de "amplificação do
desajustamento". Isto é, a escola naturalmente gera certos tipos de
desajustamentos, elas são órgãos reprodutivos na medida em que elas ajudam a
selecionar e a titular a força de trabalho. Esses motivos ajudam a manter o
privilégio por meios culturais, ao tomar a forma, e o conteúdo da cultura e do
conhecimento legítimo a ser preservado e transmitido. As escolas, são também agentes no processo de
criação e recriação de uma cultura dominante eficaz. Elas ensinam normas,
valores, disposições e uma cultura, que contribuem para a hegemonia ideológica
dos grupos dominantes. As escolas ajudam a legitimar o conhecimento novo e as
novas classes e os novos estratos sociais. A teoria do capital humano e a teoria de alocação
afirma que as escolas são agentes importantes de crescimento econômico e de
mobilidade. Por isso o treinamento técnico generalizado, mobilidade e
crescimento econômico são fatores que estão relacionados. O planejamento
cuidadoso da "força de trabalho" e a estimulação de currículos técnicos
e científicos na área de saúde, voltados para a ascensão profissional e se
desenvolvem em cadeia, de maneira que quando o crescimento econômico se torna
mais intenso, há mais estimulação para concorrência no nível técnico, onde
há uma exclusão natural de um contingente de força de trabalho não técnica
e não preparada da forma exigida pelo crescimento econômico (supressão do
capitalismo). Como exemplo cito a especialidade médica chamada
de anatomia patológica onde só os pós formados detentores do capital é que
poderão sobreviver e contratarão colegas patologistas para serem seus
empregados pois é impossível a aquisição de aparelhagem para o laboratório,
só os que possuem capital poderão adquirir e manter a empresa. Os teóricos afirmam que as escolas não estão aí
para estimular a mobilidade generalizada. Ao invés disso, elas atuam
basicamente como mecanismos de classificação. Elas distribuem os indivíduos
pelos seus "lugares apropriados" dentro da divisão hierárquica do
trabalho e transmitem as disposições, normas e valores necessários aos
trabalhadores para sua participação eficaz. Em essência, no capitalismo avançado, ao invés
de um único sistema público escolar, existem dois. Cada um desses sistemas
ensina diferentes normas, valores e disposições, dependendo da classe social e
da trajetória econômica de cada pessoa. A escola, nesse caso, atua como um
filtro entre a família e o mercado de trabalho. Ela define o indivíduo como
normal ou desajustado ou pelo menos ela dirá quem participará do sistema e
quem será usado por ele. Sobretudo interação, bastante complexa, entre o
papel da escola na produção de agentes para a divisão social do trabalho (um
papel que os economistas políticos da educação reconhecem) e o lugar da
escola como uma forma de produção de capital cultural. 4 Conhecimento Escolar e Acumulação de
Capital As instituições econômicas estão organizadas
de modo que certas classes aumentem sua fatia do capital econômico, a escola
faz a mesma coisa. Para Bourdieu, o capital cultural pode ser resgatado nas
escolas de forma que sua dominação é mantida. No nosso sistema econômico, um
modelo, que está primordialmente preocupado com a produção de lucro e apenas
secundariamente com a distribuição de recursos e empregos, o conhecimento é
continuamente eficientemente produzido, na própria escola, o nível baixo de
rendimento escolar por parte dos estudantes pertencentes a grupos das
"minorias, das crianças pobres, e assim por diante, pode ser tolerado e
será até estimulado sub-liminarmente. Isso tem menos conseqüências para a
economia do que a geração do conhecimento em si. As escolas públicas estão formando alunos para
os serviços públicos ,já as escolas privadas em geral se preocupam com o
mercado. O conhecimento técnico não é necessariamente
uma mercadoria neutra numa economia capitalista e especificamente numa escola médica,
e os meios de produção não são apenas fábricas e máquinas; eles são também
a tecnologia e a ciência incorporadas nas máquinas, laboratórios e instalações.
O conhecimento técnico, de forma geral, tem sido produzido e organizado de
forma a beneficiar os interesses empresariais na área da saúde por esta razão
a dependência tecnológica que ensina o aluno a raciocinar somente com exames
complementares[ tecnologia ] e não com a anamnese [ história pessoal ] onde
ele impediria o lucro com a doença. A função social da divisão hierárquica do
trabalho baseada em critérios técnicos, portanto, era não apenas a de deficiência
técnica, mas a de acumulação, esse monopólio significou o controle não
simplesmente de mercados e do equipamento e instalações, mas também da própria
ciência médica, mas a explicação vale para outras ciências técnicas . Essa
transformação em capital é na medida em que a indústria vincula-se cada vez
mais à divisão e ao controle do trabalho e às inovações técnicas, ela
necessitava tipos de capital econômico e cultural. Ao controlar a produção do conhecimento técnico
era importante para a produção sistemática de patentes de medicamentos, de
instrumental técnico e para a monopolização do mercado, neste aspecto o uso
das universidades para gerar e preservar conhecimento técnico foi e continua
sendo bastante eficaz. Precisamos ver as escolas tanto como instituições
produtivas quanto distributivas. Elas ajudam a manter uma distinção que está
no centro da divisão social do trabalho mental e manual. Aqueles que rejeitam ou são rejeitados por esse
cálculo particular de valores são "colocados" como forma de trabalho
excedente sob aspecto de serviço e/ou de trabalho manual, estão nos serviços
públicos de medicina nos pequenos consultórios do interior. E aqueles indivíduos
que não são "visto" como contribuindo para a maximização da produção
de conhecimento técnico/administrativo são considerados como desajustados ou
incompetentes, por causa da divisão generalizada entre trabalho mental e
trabalho manual, os trabalhos geralmente acabam por ser privados do conhecimento
necessário tanto para compreender quanto para dirigir aspectos importantes do
processo de produção. Essa relação entre acumulação de capital econômico
e acumulação de capital cultural significa que não é essencial, da
perspectiva do capital, que todos tenham um conhecimento técnico refinado em
suas cabeças, por assim, o êxito torna-se outra vez ligado à origem social,
poderíamos traçar a hipótese de que o conhecimento técnico funciona através
das escolas como uma força de reserva de conhecimento, da mesma forma que a
economia necessita de uma força de reserva de trabalhadores. Ambas as reservas
exercerão importante papel numa crise econômica, isto é, denominação
capitalista do controle, do uso e da acumulação final do conhecimento técnico
estabelece os limites sobre as formas que ele assumirá nessa sociedade e também
sobre os tipos de conhecimento e de pessoas considerados como legítimos na
escola das sociedades capitalistas. Está assim explicado porque não há interesse
em valorizar o ensino disciplinas de conteúdo humanístico como da ética
profissional ,pois ela seria o elemento contestador do sistema e o colocaria em
perigo. O aparato de Estado pode ser visto como relações
de denominação de classe, e a intervenção do estado tem crescido,
nacionalização de certas indústrias na França e na Itália, de gasto público
maciço nos Estados Unidos, o estado subsidia o capital diretamente através de
medidas fiscais, envolve o papel de estado em assumir uma parte maior dos custos
sociais do capital privado, custos são assumidos pela maioria da população
trabalhadora, através do estado. A intervenção do estado tem outras funções,
comercialização de produtos, sua absorção do s trabalhadores
"excedentes", através do aumento da proporção de funcionários públicos,
assume um papel crescente no que "reprodução da relações sociais".
Assim, numerosas leis tendem a reproduzir as formas das relações sociais e
contratuais exigidas pelo capital. Pode ser observada: a socialização dos
custos e privatização dos lucros e na medicina o processo cada vez é mais
fulminante sem que os próprios médicos possam se insurgir contra . Com o poder crescente da nova pequena burguesia
dentro do aparato econômico e cultural, o foco sobre o conhecimento técnico/
administrativo permite à escola fazer duas coisas. Ela aumenta sua própria
legitimidade perante esse importante segmento de classe e, o que é tão
importante quanto isso, permite que esse mesmo segmento de classe use o aparato
educacional para reproduzir a si mesmo. A escola não responde apenas às
"necessidades do capital", ela tem também que manter sua própria
legitimidade perante seus outros clientes, a ideologia dominante incluem a ênfase
na educação baseada na "competência", instrução sistêmica, educação
profissionalizante, significa um ritmo crescente de intervenção do estado e
cada uma dessas intervenções é planejada tendo em vista duas finalidades:
tanto para não pôr em riso o funcionamento básico do aparato econômico
quanto pra manter a legitimidade das instituições políticas. O estado intervém para sustentar a produção a
legitimação e a acumulação e para aliviar os piores efeitos da "má
distribuição". Também nessa esfera o estado atuará para remediar os
resultados negativos produzidos, nem que seja apenas para manter sua própria
legitimidade. Aqueles grupos de pessoas que não
"podem" contribuir para a maximização de sua produção são
rotulados e estratificados.Eles tornam-se então "beneficiários" de
quantidades relativamente pequenas do dinheiro do estado. As escolas estão de forma geral organizadas, não
para a distribuição generalizada de mercadorias culturais, mas para a produção
por parte do capital e da nova pequena burguesia. Uma ordem social injusta reproduz a si mesma
envolve a seleção, organização, produção, acumulação e controle de tipos
específicos de capital cultural, como a escola, que estão parcialmente
organizadas para produzir este tipo de mercadoria cultural, o contexto dos
arranjos sociais que determinam os usos que serão feitos das mercadorias. Nesse ponto se explica porque cada vez mais o
Estado autoriza e estimula a criação de novas escolas médicas. Às vezes envolvia com pouca esperança de solução,
a escola deve contribuir para o processo de acumulação, produzindo tanto os
agentes para um mercado de trabalho hierarquizado quanto o capital cultural do
conhecimento técnico/administrativo devem legitimar as ideologias de igualdade
e mobilidade de classe. A necessidade de eficiência econômica e ideológica
e de uma produção estável tende a estar em conflito com as outras
necessidades políticas. Os princípios da correspondência que vinculam a
atividade das escolas diretamente com as necessidades da economia capitalista. Nossas instituições educacionais podem conceder
um tratamento diferenciado aos estudantes de acordo com sua classe, gênero e raça,
contribuindo assim para reproduzir a divisão social do trabalho. Assim as práticas
pedagógicas médicas usadas são responsáveis em boa parte pelo fenômeno que
faz com que os estudantes internalizem o fracasso, vendo esse processo de
classificação como um problema individual, sua trajetória moral é tal que
eles viverão o papel atribuído pelo rótulo, mas uma disciplina curricular que
trate da ética profissional e da política de saúde, que os motive para a crítica
e para a percepção da realidade poderia desmontar ou pelo menos discutir
criticamente o modelo. Mas também como um sistema específico de produção,
a interpretação entre a reprodução cultural e a reprodução econômica de
nossa sociedade, aquelas que focalizam a distribuição têm se constituído em
uma eficaz, embora sutil, forma de controle social. Elas organizam nosso
pensamento e nossas análises sobre as escolas como se elas fossem planejadas
como mecanismos de distribuição. Sob um aspecto, elas o são. Foco colocado na
distribuição tem nesses aspectos tornarão as escolas mais eficientes na
distribuição da informação supostamente neutra, a favor de uma perspectiva
que examine as escolas como aspectos de um conjunto de arranjos produtivos,
afirmei também que o estado assumirá um papel progressivamente importante. Conhecimento como uma forma de capital da cultura
como uma mercadoria que possamos ignorar as relações que as escolas têm com o
modo econômico de produção no qual elas existem. Em outras palavras, o processo de inovação
tecnológica na medicina pode ser eficaz apenas sob condições de produção,
que fogem à lógica capitalista que deva haver uma boa dose de iniciativa no
processo de produção. Uma vez que o capital molda a sociedade, o estado
é usado cada vez mais como um mecanismo básico para absorver, atenuar e
regular as contradições que surgem no processo de acumulação, e o estudante
de medicina seria uma peça útil para manter os privilégios . Entretanto, o
estado não é puramente um aparato regulatório capitalista. Ele expressa as
contradições da sociedade e deve também exercer as funções de legitimar os
interesses dominantes e de integrar as classes dominadas ao sistema, mas só será
possível com o amadurecimento do aluno e sua real motivação para uma nova
forma de aprender e perceber a realidade do nosso povo miserável e explorado. A intervenção crescente do estado para apoiar a
lógica capitalista enfraquece a base de sua legitimidade como representante do
interesse geral e isto precisa ser denunciado em todas as escolas. Isso pode ser feito através da criação de
novas filosofia das escolas ou através de um trabalho político nas instituições
existentes que treinem médicos não para a indústria mas para atender as
necessidades do povo. Os educadores politicamente conscientes podem
começar a demonstrar algumas das relações estruturais entre as formas pela
quais as escolas agora funcionam e a reprodução da desigualdade, contribuindo,
assim, para a formação de vínculos entre professores progressistas e esses
grupos. 5 Conclusão Para uns as escolas são veículos de democracia
baseados no mérito para outros as escolas são mecanismos para a reprodução
da divisão do trabalho. A escola é o veículo para perpetuar o processo
de mercantilização da cultura e manutenção das classes sociais e ideologia
dominante e o fez oferecendo as razões culturais e econômicas reproduzindo as
práticas cotidianas. Aqueles indivíduos que não participam nem
reproduzem o modelo estabelecido pela ideologia política dominante são
rotulados de "desajustados" ou "incompetentes" e a escola
passa aniquilá-los convencendo-os que são diferentes ou incapazes e não são
aceitos pois não se enquadram nos padrões robotizados que a escola que formar.
A prática demonstra que não tem havido diminuição da correlação entre
origem social e êxito escolar que continua sendo em regra reserva dos àqueles
que vão ajudar a manter os privilégios que eles mesmo já detém e não querem
dividir. Assim as escolas sendo órgãos reprodutivos
ajudam a manter o sistema, e hegemonia ideológica e econômica e o faz
procurando manter o controle do conhecimento para através dele manter o
controle do poder econômico. As escolas não se preocupam com a mobilidade
generalizado ou democratizado do conhecimento mas sim atuam como mecanismo de
classificação, é a mesma idéia de Bourdier que argumenta que a escola mantém
a forma de dominação com o passe do capital cultura. A escola mantém o capital cultural através
desta dominação e divisão de classes distanciando cada vez mais o acesso ao
capital econômico e possa produzir mercadoria cultural exigida pelo sistema e
sua perpetuação. No sistema capitalista a escola, entre elas a médica,
é o instrumento para propiciar lucro acessível apenas a determinadas classe
portadora do capital econômico, descriminando esse acesso através do capital
cultural e na manutenção da reserva de um contingente de trabalhadores através
da pobreza, doença, desemprego e sub-emprego e dessa forma assegurando a classe
dominante a manutenção do lucro induzindo que a medicina é tecnologia e tenta
aniquilar a relação médico- paciente. Essa produção de mercadoria da
cultura é exigida pelo capitalismo que o faz níveis elevados de conhecimento técnico
para manter o aparato econômico. Essa mercadoria do conhecimento é um produto
economicamente essencial e isto pode ser sentido nas indústrias de laboratórios
de medicamentos, portanto o conhecimento técnico tem sido produzido e
organizado e passa beneficiar os interesses empresariais, e que leva a um
controle não simplesmente do mercado equipamento ou instalações mas sim da própria
ciência, que deixou de ser neutra. Assim a escola referenda a tese do investimento
em tecnologia e proporciona o controle da ciência através das patentes
monopolizando o mercado criando assim uma reserva do conhecimento técnico. O interesse da maioria da classe trabalhadora
necessita ser identificado com o interesse nacional , pensar um projeto de currículo
que permita a compreensão das grandes questões sociais e éticas; é libertar
a Universidade das determinações do mercado . A escola reforça o modelo ao ajudar a manter a
distinção entre trabalho mental e trabalho manual o primeiro reservado aos
ajustados ao sistema e o segundo aos desajustados ou aqueles que não tiveram a
oportunidade de acesso, sendo a estes privados do conhecimento para compreender
e dirigir o processo de produção, ou seja a passagem de trabalhador de massa a
dirigente O próprio sistema econômico reproduzido na
escola faz com que aumente cada vez mais a distância das classes pensante da
trabalhadora, infelizmente a escola tem papel fundamental legitimando a
subordinação do trabalhador ao capital. O capitalismo sobrevive de crises e para se
manter necessita de um contingente de reserva de conhecimento e reserva de
trabalhadores. A reserva do conhecimento se faz com o acesso
restrito a tecnologia e a reserva econômica sobrevive com a manutenção de uma
reserva de trabalhadores ávidos a participar do sistema. O projeto genoma humano que representou o
mapeamento do código genético, ainda não descobriu a proteina que é
produzida por cada gene que explicará a causa da doença, permitirá a curto
tempo o diagnóstico precoce e preventivo e irá alterar os hábitos e a vida
das pessoas . Aonde estão os limites para a ciência?, será o
poder econômico que ditará as regras ? Quem nos garante um plano de saúde se
a genética me considerará economicamente inviável? Não basta mais ao profissional da saúde o
conhecimento científico , é preciso que ele possa compreender os problema
sociais e políticos só possível com uma mudança radical do conhecimento
escolar. Em resumo os conteúdos do conhecimento
transmitidos nas escolas médicas são determinados pelos padrões estruturais
da sociedade capitalista através do controle, uso e acumulação do
conhecimento técnico definindo os tipos de conhecimento ou interessam ao
sistema e as pessoas consideradas ajustadas os quais irão manter o sistema e
seus privilégios. O Estado funciona e está organizado como
mecanismo de dominação de classe. A intervenção do Estado vem crescendo e se
torna imprescindível no capitalismo o aceso a saúde através do capital através
de medidas fiscais e assumindo a maior parte dos custos sociais do capital
privado, na realidade estes custos acabam sendo assumidos pela população
trabalhadora. Na prática o Estado sustenta o processo de
acumulação de capital, fornece serviços, cria mercados, assume o excedente de
funcionários criando uma tendência sistemática de socialização dos custos e
privatização dos lucros e delega as empresas médicas o custo e o lucro da saúde
do trabalhador, função que deveria ser do Sistema Único de Saúde . O foco do conhecimento aumenta a legitimidade do
Estado e permite a burguesia usar o aparato educacional para reproduzir a si
mesmo. A escola recebe a intervenção do Estado que
tenta maximizar a produção de agente e conhecimento exigido pela economia,
para não por em risco o sistema e legitimar as instituições políticas. As práticas pedagógicas e curriculares são
responsáveis pelo desajustamento de alguns estudantes face ao rótulo de
fracasso pessoal que a escola lhe imprime. Os educadores médicos conscientes devem
demonstrar algumas das relações estruturais entre as formas pelas quais as
escolas funcionam e reproduzem as desigualdades. A disciplina de bioética pode ser uma fonte
demonstradora de desencontros entre a medicina e o sistema de ensino superior da
saúde, pode permitir uma visão mais real e critica , procurando demonstrar que
esta ciência pode ser exercida ouvindo o doente , percebendo os sinais e
sintomas e solicitando exames complementares absolutamente necessários e sem
uma dependência viciada da tecnologia. Esta disciplina tem o sonho de intervir na
construção de uma nova sociedade cujo referencial é a dignidade da pessoa
humana. A bioética sendo uma ciência muldisciplinar
permitirá uma abordagem mais humana do doente e fará com que o estudante veja
o paciente como cidadão , sujeito de direitos que devem ser respeitados de
maneira absoluta com base no princípio da autonomia . O médico do futuro próximo
poderá enfim compreender que a medicina se faz com ciência , poder e arte,
mais principalmente com ética princípio de respeitabilidade , solidariedade ,
base dos preceitos do homem e fonte legitimadora do direito. 6 Bibliografia 1-- APPLE, Michael W. - Educação e Poder.
Porto Alegre. 1989 2- BOURDIEU, Pierre - A Economia das
Trocas Simbólicas. 3- SACRIGTAN, J. Giwett / Gomes. A. Peres. ¿Que Ensenán las Escuelas? 4- VOESE, Ingo - Mediação dos Conflitos. Como Negociação dos Sentidos. Curitiba, 2000-06-20 5- VOESE, Ingo - Linguagem e Argumentação
Jurídica. |
Copyright © 2000 - APEMOL
& IBEMOL Os direitos autorais dos trabalhos, assim como a responsabilidade sobre os mesmos, são dos respectivos autores. |